Mostrando postagens com marcador Clarice Lispector. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Clarice Lispector. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 4 de outubro de 2011





"Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que quase me deixa exausta.
Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo.
Eu sei chorar toda encolhida abraçando as pernas.
Por isso, não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa.
Venha a mim com corpo, alma, vísceras, e falta de ar..."

Clarice Lispector

segunda-feira, 9 de maio de 2011


"Pense numa pessoa ciumenta, dramática, estranha, ás vezes chata, teimosa, difícil de entender, feliz e infeliz. Pensou? Então, sou eu."

-Clarice Lispector-

segunda-feira, 21 de março de 2011


"(...)Mas como fazer se não te enterneces com meus defeitos, enquanto eu amei os teus. Minha candidez foi por ti pisada. Não me amaste, disto só eu sei. Estive só. Só de ti. Escrevo para ninguém e está-se fazendo um improviso que não existe. Descolei-me de ti. Não me amaste, disso só eu sei."

-C.L in Agua Viva-

"Eu te odeio", disse ela para um homem cujo crime único era o de não amá-la.

- Eu te odeio -, disse muito apressada.
Mas não sabia sequer como se fazia.
Como cavar na terra até encontrar a água negra,
como abrir passagem na terra dura e chegar jamais a si mesma?"


(Lispector, O Búfalo - Do livro: Laços de Família. - p. 127 )

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011


"Eu sou feita de tão pouca coisa e meu equilíbrio é tão frágil, que eu preciso de um excesso de segurança para me sentir mais ou menos segura."

C.L
"Ela é assim! Pronto.
Mas assim como? Explica!
Ela é assim um mix de tudo que se possa imaginar dentro de uma grande capacidade de apenas não ser nada em definitivo.
Ela é aquilo que não consegue se encaixar em moldes pré-existentes, parece que ninguém nunca foi antes dela.
Ela se incomoda com isso, às vezes, muito.
Ela é cheia de sentimentos, parece que suas experiências se manifestam é no dorso do seu colo, e quase sempre, de vez em quando, tudo isso pesa.
Mas não tem modo, não existe maneira que a faça ser diferente.
E ainda, graças a Deus, ela é diferente.
Algo que pesa e que tem o dom da leveza, algo que chora e que se manifesta em sorrisos, algo de forte, mas que se desmancha quando encontra a água."

C.L

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010


"Sim, era diferente. Mas sim, era tímida. Sim, era supersensível"

C.L

"O que acontecia na verdade com Lóri é que, por alguma decisão tão profunda que os motivos lhe escapavam — ela havia por medo cortado a dor..."

C.L in- Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres

"Se você chegar a ser minha, do modo como quero, gostaria de ter um filho seu, assim mesmo, com você sem pintura no rosto e coberta de suor."

C.L

domingo, 31 de outubro de 2010


“Sobretudo um dia virá em que todo meu movimento será criação, nascimento, eu romperei todos os nãos que existem dentro de mim, provarei a mim mesma que nada há a temer, que tudo o que eu for será sempre onde haja uma mulher com meu princípio, erguerei dentro de mim o que sou um dia, a um gesto meu minhas vagas se levantarão poderosas, água pura submergindo a dúvida, a consciência, eu serei forte como a alma de um animal e quando eu falar serão palavras não pensadas e lentas, não levemente sentidas, não cheias de vontade de humanidade, não o passado corroendo o futuro! O que eu disser soará fatal e inteiro!.”

C.L in - Perto do coração selvagem

"Não é que vivo em eterna mutação, com novas adaptações a meu renovado viver e nunca chego ao fim de cada um dos modos de existir. Vivo de esboços não acabados e vacilantes. Mas equilibro-me como posso, entre mim e eu, entre mim e os homens, entre mim e o Deus."

C.L in - Um sopro de vida

quarta-feira, 25 de agosto de 2010


"Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar."

-C.L-

"Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras.
Sou irritável e firo facilmente.
Também sou muito calmo e perdôo logo.
Não esqueço nunca.
Mas há poucas coisas de que eu me lembre."

-C.L-

quinta-feira, 1 de julho de 2010


Precisa-se

Sendo este um jornal por excelência, precisa-se

e por excelência dos precisa-se e oferece-se,
vou por um anúncio em negrito:

precisa-se de alguém homem ou mulher

que ajude uma pessoa a ficar contente
porque esta está tão contente que não
pode ficar sozinha com a alegria,

e precisa reparti-la.

Paga-se extraordinariamente bem:
minuto por minuto paga-se
com a própria alegria.

É urgente pois a alegria dessa pessoa
é fugaz como estrelas cadentes,
que até parece que só se as viu depois que tombaram;

precisa-se urgente antes da noite cair
porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possí­vel e fica tarde demais.

Essa pessoa que atenda ao anúncio

só tem folga depois que passa
o horror do domingo que fere.

Não faz mal que venha uma pessoa
triste porque a alegria que se dá
é tão grande que se tem que a repartir
antes que se transforme em drama.

Implora-se também que venha,
implora-se com a humildade
da
alegria-sem-motivo.

Em troca oferece-se também uma
casa com todas as luzes acesas
como numa festa de bailarinos.

Dá-se o direito de dispor da copa
e da cozinha, e da sala de estar.

P.S. Não se precisa de prática.
E se pede desculpa por estar num
anúncio a dilacerar os outros.


Mas juro que há em meu rosto sério
uma alegria até mesmo divina para dar.

-Clarice Lispector-

segunda-feira, 15 de março de 2010


“Depois que descobri em mim mesma como é que se pensa, nunca mais pude acreditar no pensamento dos outros”.

C.L

sábado, 20 de fevereiro de 2010


"Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação"

C.L in- A paixão segundo G.H

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Temperamento impulsivo

“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.
Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”

Clarice lispector em uma entrevista

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

" (...) e tão gloriosa ficou na sua assombração e com tanto amor era observada que se passavam os dias e ela não murchava: continuava de corola toda aberta e túmida, fresca como flor nascida. Durou em beleza e vida uma semana inteira. Só então começou a dar mostras de algum cansaço. Depois morreu. Foi com relutância que a troquei por outra. E nunca a esqueci.(...)"

C.L in - Água Viva

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

"Existe um ser que mora dentro de mim como se fosse casa dele, e é. Trata-se um cavalo preto e lustroso que apesar de inteiramente selvagem - pois nunca morou antes em ninguém nem jamais lhe puseram rédeas e nem cela - apesar de inteiramente selvagem tem por isso mesmo uma doçura primeira de quem não tem medo: come as vezes na minha mão. (...) Aviso que ele não tem nome: basta chama-lo e se acerta com o seu nome. Ou não se acerta, mas, uma vez chamado com doçura e autoridade, ele vai. Se ele fareja e sente que um corpo-casa é livre, ele trota sem ruidos e vai. Aviso também que não se deve temer o seu relinchar: a gente se engana e pensa que é a gente mesma que está relinchando de prazer ou cólera, a gente se assusta com o excesso de doçura do que é isto pela primeira vez.

Ela sorriu. Ulisses ia gostar, ia pensar que o cavalo era ela própria. Era?"

Trecho da carta de Lóri pra Ulisses em Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres por C.L

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

"Era uma mulher fraca em relação às coisas.
Tudo lhe parecia às vezes preciso demais, impossível de ser tocado.
E, às ve­zes, o que usavam como ar de respirar, era peso e morte para ela.
Veja se compreende a minha he­roína, titia, escute.
Ela é vaga e audaciosa. Ela não ama, ela não é amada.
Você terminaria notando-o como Lídia, outra mulher —uma jovem mulher cheia do próprio destino —, observou-o.
No entanto o que há dentro de Joana é alguma coisa mais forte que o amor que se dá e o que há dentro dela exige mais do que o amor que se recebe.
Compre­ende, titia?
Eu não a chamaria de herói como eu mesma prometera a papai.
Pois nela havia um medo enorme.
Um medo anterior a qualquer julgamento e compreensão.
— Me ocorreu agora isso: quem sabe, talvez a crença na sobrevivência futura venha de se notar que a vida sempre nos deixa intocados.
— Compreende, titia? — esqueça a interrupção da vida futura — compreende?
"

C.L in - Perto do coração selvagem